sexta-feira, 9 de julho de 2010

inércia poética


Sentado à mesa, sozinho em um quarto que me é tão inspirador tento criar alguma coisa digna de leitura, hoje já não sei se me é ou se me foi tão inspirador, rasgo cada frase mentalmente, piso em cada vírgula, descrente .
Descrente, de tudo, descrente de mim, o quê será dessa mera carcaça agora, sem ideias, sem palavras? Escrever eu sempre levei à sério, desde pequeno é a única coisa que faço bem, ou será que já não faço? Fazia ?
Escrever é um dom, e o quão gratificante é escrever algo e sentir que aquilo é a sua alma em palavras, seus ideais em poesia, a vida em versos, o mundo em prosa.
Me atrevo à dizer que escrevo, que escrevo bem, ah, como me atrevo! Mas são as crônicas que pagam as minhas contas, e os meus sorrisos de orgulho próprio em madrugadas tediosas de uma pacata segunda-feira. É preciso saber se orgulhar do que se faz também, ou será que esse surto branco, oco, vazio, acaba com palavras de uma vida inteira? Talvez agora eu me orgulhava.
Agora, olho atentamente pra cada canto da casa, rodando, preciso de uma inspiração, um sorriso quiçá, procuro a fonte, não a encontro.
Mas, amanhã é outro dia, então a gente deixa o coração falar também porque ele tem razão demais quando se queixa, o poetinha me disse um dia. Perdi as forças para lutar contra essa cegueira que me prende e me larga em lugar nenhum, vou dormir por uns instantes compridos.
E, ah, por favor, apague a luz e feche a porta quando sair.




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